terça-feira, 27 de novembro de 2018

EDUCAR É UMA PROFISSÃO IMPOSSÍVEL? (2)


Relendo as minhas primeiras postagens percebi o quanto era imatura e com pouco acesso a dilemas na área da educação, que naquele tempo não havia parado para analisar. Dentre tantas, escolhi a postagem intitulada Educar é uma profissão impossível?, do qual será denominada com o mesmo titulo, porém identificada como parte dois, com o objetivo comparativo da primeira para a mais atual. 

No primeiro texto afirmei que era uma profissão árdua, mas tinha uma preocupação, ainda comum a certos professores, que era de ensinar e o aluno aprender e, para tanto apenas o conceito da TRANSFERÊNCIA - a partir  dessa relação que o aluno aprende, fortalecendo um vinculo afetivo -ensinar com amor seria o mais importante.

Com acesso as leituras pude perceber que havia outras questões atreladas, tão importante como o vinculo afetivo que procurava desenvolver com os alunos. Questões  de cunho atual e necessárias para construção do conhecimento, exemplo, a produção de redes de ensino para trocas de experiências entre alunos/professores de diversas localidades.

 O afeto é um dos ingredientes do bolo, mas temos outras questões que precisamos abordar, tais como a forma que se dá a percepção desse conhecimento e as mudanças culturais que ocorrem velozmente. Fazer uso das tecnologias a favor da educação se faz necessário, pois é o universo do qual estão atrelados nossos alunos, uma espécie de aldeia global (MENEZES, 1999), onde o meio é a mensagem de comunicação entre eles, gerando com isso novos padrões de vida. As tecnologias aliada as  reflexões  nas escritas nos proporciona questionamentos que outrora adormecidos, mas que nos ajuda a reencantar a educação. 

A comunicação e a educação são processos que andam juntos a partir das relações afetivas e, que os primeiros possa irradiar produção de saber, interação emocionais que possam desacomodar os alunos com o intuito de tirá-los do pacto da mediocridade. Fazer com que eles (educandos) desejem colocar-se em movimento produzindo efeitos, assim: "Se o dado informacional não provocar a reinvenção  da trama informacional que é cada sujeito, ele não produz comunicação, ação se torna comum. Ele redunda e o sujeito paralisa ou, no minimo, não se movimenta, não produz vida", (BAPTISTA, p.3).


Referê ncias bibliográficas:

BAPTISTA, Maria Luiza Cardinale. Emoção e Ternura: a Arte de Ensinar.
MENEZES, José Eugenio de Oliveira. As formas de percepção e as mudanças culturais. Revista NIFE, Faculdades Sant'Anna, a.6, n. 5, p. 193-196, 1999.

https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=6109726530448589034#editor/target=post;postID=4161540752584555582;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=76;src=link último acesso 27/11/2018

sexta-feira, 22 de junho de 2018

A IMPORTÂNCIA DOS ESTÁDIOS PARA A APRENDIZAGEM


Para Piaget, não basta saber os nomes e características dos estádios, pois elas são extremamente variáveis. Podemos  encontrar crianças que avançam rapidamente, outras, nem tanto. Para Piaget isso é previsível, pois estamos falando de médias. Para o autor, o individuo deve ser analisado a partir do seu comportamento e não da sua idade. Portanto, a idade não será suficiente para nos dizer em qual período de desenvolvimento a pessoa  encontra-se, por isso a  teoria de Piaget não é Maturacionista.

Os estádios tem caráter integrativo, significa que o individuo pode apresentar os instrumentos de todos os estádios anteriores, que em alguns momentos,  irá circular por outros períodos de desenvolvimento.

Nem sempre todos os indivíduos passam por todos os períodos ou estádios do desenvolvimento. Porém, se alguém está vivendo um estádio atual, significa que passou pelos anteriores – NÃO SE QUEIMAM ESTÁDIOS, o que é denominado sucessão constante.

Os estádios são degraus de equilíbrio estruturais e não para mensurar conteúdos, logo, com certa restrições podemos ensinar qualquer conteúdo para as crianças/ adolescentes, claro, respeitando sua capacidade estrutural.


Fonte:

 BECKER, F. e MARQUES, T. Estádios de Desenvolvimento. In BECKER, F. Educação e construção do conhecimento, 2ª. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2012

DÉCADA DE 80 E A TECNOLOGIA DISPONÍVEL


 Minha vida escolar teve início  na década de 80 com  recursos pedagógicos escassos em que praticamente todas nós possuíamos as mesmas coisas. Fomos educadas basicamente com lápis, caderno, borracha, livros, quadro negro e giz.
Uma vez por mês recebíamos folhas mimeografadas para realização das provas. Nosso material escolar resumia-se apenas na mochila que tinha que durar pelo menos três anos, o estojo, um ano letivo e só comprávamos cadernos, borrachas e lápis quando estes se  gastavam, contudo em nossos lares, o televisor,  nesta época ainda preto e branco, fazia parte da mobília da casa, onde por meio dele assistíamos desenhos animados. Somente anos depois, o televisor que transmitia imagem colorida, que até então era luxo para poucos, substituiu aquela tela de 14¨ de tubo amarelo, e botão de girar que fazia parte da mobília de nossas residências.   
Regressamos à escola dos anos 80 marcada pela transição de educação em massa, embora o  consumo começasse a ser mais fácil, alguns itens eram espartanos e quem tinha a palavra final era os pais e os professores.
É fato que a tecnologia evoluiu em uma velocidade alarmante quando comparada a outros aspectos de nossas vidas e no planeta, porém com dificuldades de dimensionamento, leia-se no sentido de acessibilidade e aplicabilidade no contexto educacional.
Conforme Pretto;
São muitas as tentativas de sistematização da evolução científica e tecnológica no mundo das comunicações. A invenção do transistor e o conseqüente desenvolvimento dos sistemas computacionais são sempre apontados como marcos importantes neste universo.(1996)
A chave para abrir esse mundo contemporâneo nos foi apresentada nas décadas seguintes com o ingresso na faculdade, onde a internet passa a fazer parte da realidade do mundo acadêmico e, rapidamente vai se despontando  como elemento de conexão indispensável  na  produção de conhecimentos e cultura.

No entanto, conforme referenciado por Pretto[1],
[...] a pura e simples introdução destas tecnologias não é garantia desta transformação. Esta introdução é, portanto, uma condição necessária mas não suficiente para que tenhamos um sistema educacional compatível com o momento histórico. Desta forma, introduzir estas tecnologias exige compreender de forma mais ampla a necessidade de fortalecer os nós - as unidades escolares que por sua vez articulam-se intensamente com os valores locais - de tal forma a dar maior visibilidade aos nós desta rede, aumentando concomitantemente a conectividade entre estes nós, estabelecendo-se com isso as rede de conexões [...] (1996)

Nossa educação ainda é centrada em velhos paradigmas e incompatíveis com o momento histórico. Quando falo em “velhos” paradigmas me referido a três grandes falácias que, [...] como afirmou Emilia Ferreiro para a Revista TV Escola. Segundo ela, insistimos ainda que a aprendizagem deve se dar sempre do concreto para o abstrato, do próximo para o distante e do fácil para o difícil (MEC 1996). (PRETTO, 1996)
O resultado desse pensamento será refletido nas dificuldades de compreender as transformações contemporâneas sinalizadas em todas as áreas: trabalho, lazer, social e educacional. Ignorar tal realidade é desconhecer as transformações  e necessidades de nossos jovens e adolescentes.
Para Pretto;
Precisamos compreender mais de que forma esta geração X (novas tribos) convive simultaneamente com os vídeo-games, televisões, Internet, esportes radicais, tudo simultaneamente, de forma múltipla e fragmentada, tudo ao mesmo tempo. Esta geração já relaciona-se com as novas medias de forma diversa e já existem sinais de um novo processo de produção de conhecimento, ainda desconhecido pela escola. (1996)

As tecnologias transitam em nossas realidades da mais diferentes formas, embora desconhecida ou ignorada pelas escolas, fato que mediante todos os avanços, esta continua a enfatizar apenas a formação de mão de obra, porém este conceito está mudando.
Até aqui conseguimos dois pontos importantes. Primeiro que as transformações do sistema educacional passa obrigatoriamente pela metamorfose dos professores com formação pedagógicas condizentes com o contexto histórico, segundo maior interação entre os mundos da comunicação e informação com a educação , haja visto, que há grande distâncias entre os dois primeiros com o processo educacional em nosso país, onde a desigualdade social é acentuada.
Retomando a questão da mão de obra temos que pensar que tecnologia de ponta não se faz com mão de obra barata, esse apontamento nos faz pensar que a desqualificação do sistema educacional (professores e alunos) seja unicamente interesses de manobras e conchavos políticos. Necessariamente temos que considerar como fundamental a introdução das tecnologias e informações nos processos de ensino aprendizagem.
A introdução por si só não basta é necessário compreender a sua  real necessidade de forma ampla – instalações satisfatórias e profissionais treinados para o processo coletivo de produção de conhecimento.
A escola, conectada, interligada, integrada, articulada com o conjunto da rede, passa a ser mais um elemento vital deste processo coletivo de produção de conhecimento. Nesta navegação, portanto, percorremos caminhos ilimitados, sem fronteiras. (PRETTO, 1996)

Para temos uma modernização do sistema é mister uma transformação profunda em todos os setores em engloba a sociedade com implantações de políticas condizentes com as transformações da sociedade.


Referências:

PRETTO. N. Educação e inovação tecnológica: um olhar sobre as políticas públicas brasileiras. FACED/UFBA. 1996 Disponíveis em < https://www2.ufba.br/~pretto/textos/rbe11.htm > acesso em 06 de maio 2018.





[1] Nelson Pretto é professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Doutor em Comunicação pela USP (1994). E.mail: pretto@ufba.brHome-page: http://www.ufba.br/~pretto Fax: + 55 (0)71 235 2228

ALFABETIZAÇÃO; O QUE IMPORTA!

O analfabeto, é mártir da injustiça social, é negação de afirmação de homens e mulheres ao direito de ler, compreender, transformar suas experiências e de reconstituir sua relação com a sociedade mais ampla, de direito à alfabetização. Por isso, alfabetizar não significa saber ler e escrever, mas compreender o que se lê e escreve e, que esse processo de alfabetização seja através de um projeto político, onde o educando tenha sua própria voz, consciência reflexiva e traga-lhe abertura de novos horizontes.
Alfabetizar letrando pressupõe partir de temas que questionam a realidade dos mesmos, visando uma educação problematizadora, mediado por um professor-cidadão crítico, onde os educandos são levados a assumirem-se como sujeitos da construção de si mesmos e da sua realidade. Tal educação oportuniza  à libertação e por conseguinte a dialogicidade onde o conteúdo programático não será imposto, mas fundamentado no universo das aspirações, anseios e desenvolvimento da consciência crítica dos educandos, tendo como resultado levar o aluno a perceber os benefícios políticos, sociais e culturais que o  ato de saber ler, escrever e interpretar pode lhe proporcionar - emancipação do homem.

 fonte:
ALFERES, M. A. ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: TECENDO RELAÇÕES COM O PENSAMENTO DE PAULO FREIRE, disponível em <http://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170601130727.pdf > acesso em junho de 2018.




ESCOLA E REALIDADE


Os desencontros da escola com a sociedade nos dias atuais é contundente, pois a transmissão de  informações são prontas e moldadas, o que não incentiva a criação e a reflexão sobre a realidade dos alunos. A escola mantém a mesma estrutura e os mesmos preceitos daquela época do sistema escolar, visto que a sociedade não se apresenta mais no modelo sólido e estruturado o qual concebia a sociedade na época da elaboração e construção da escola. Atualmente novos valores e necessidade se fazem valer, em especial, quando falamos na EJa que deve ser voltada na necessidade de formação de homens livres e pensantes.

A necessidade de compreender a função da escola neste século XXI nos remete à busca dos significados e dos sentidos que o sistema educativo tem – ou deveria ter – diante da formação das necessidades das novas   gerações - EJA.  Esta compreensão se torna fundamental quando percebemos que a escola se mantém de maneira tenaz, impondo certos modos de conduta, de pensamento e de relações próprias, independente das mudanças que ocorrem na sociedade; o que a torna desinteressante para a grande demanda de estudantes que são obrigados a frequentá-la diariamente. 

Percebemos que as instituições educativas realizam um trabalho o qual visa o controle, tornar dócil a consciência, isto é, almejam um indivíduo normalizado. Necessitamos de uma escola que instrui e que forma, que ensina conhecimentos, mas que consiga formar cidadãos critícos com objetivos de serem cidadãos livres através do conhecimentos, pois só este pode possibilitar a emancipação.

 As escolas de nossa realidade funciona  transmitindo informações, que são prontas e moldadas, o que não incentiva a criação e a reflexão sobre a realidade dos seus alunos. e esta forma de ensinar não torna os sujeitos com ela envolvidos capazes de armazenar os objetos em seu contexto, sua complexidade, seu conjunto, resultando em  alunos que saem da escola todo ano não conseguindo estabelecer uma relação entre o que viveu e aprendeu na escola, com a realidade fora dela.

As instituições escolares não podem transmitir nem trabalhar dentro de um único modelo de pensar, afinal o objetivo de toda prática educativa – facilitar a reconstrução do conhecimento experiencial do aluno – não pode se entender nem se desenvolver sem o respeito à diversidade, às diferenças culturais e  individuais que determinem o sentido, o ritmo e a qualidade de cada um dos processos de aprendizagem e desenvolvimento. 

terça-feira, 19 de junho de 2018

EJA e alguns critérios


Embora não tenha atuado na EJA penso que alguns critérios devem ser levados em consideração. Em tese,  adolescentes e adultos encontram-se no estádio operatório formal, nem todos  adquirem essa capacidade ao mesmo tempo, outrora podendo ser determinadas por diversos fatores alheios a sua vontade e justificados desde a sua infância.
A escola que continuar a insistir no repasse de respostas prontas estará na contramão do pensamento moderno, além de frustrar o aluno,  tudo que professor  pretender amealhar para uma boa aprendizagem será inútil caso não observe a realidade e necessidade individual dos alunos, estes ficarão menos motivados para aprender.
Outro fator que apontamos trata do Conceito de Transferência e a importância da afetividade no processo de aprendizagem, ambos já estudados anteriormente, sem eles não podemos mensurar um ensino de qualidade, pois não basta o professor passar o conteúdo - aluno tábua rasa -  e desprezar as relações interpessoais originárias das individualidades e  da sala de aula, afinal, o aluno é o resultado de suas origens e das  constantes transformações na troca com o meio. Cabe ressaltar a importância da confiança do aluno para com o professor, onde o primeiro terá seus conhecimentos reconstruídos sobre valores fortemente arraigados nunca antes desacomodados. Falamos aqui em solidariedade mútua através de mudança estrutural, oriunda da convivência das partes - modo de aprender e ensinar para o aluno e o mestre, e  essa cooperação abrirá possibilidades para o caminho intelectual.

Referências:

MARQUES, Tânia Beatriz Iwaszko. Aprendizagem na vida adulta.
 REAL, Luciane Magalhães Corte e PICETTI, Jaqueline. Aprendizagem amorosa: transformações na convivência de aceitação do outro como legítimo outro. 2011. Educação e Cidadania nº13. Editora UniRitter.

GERAÇÃO ANALÓGICA

Leituras nos possibilita entender o mundo, seus feitos e a trazer retorno pessoais que estavam sem repostas. Digo isso, porque ao terminar a leitura de SCHLEMMER compreendi o motivo de tantas dificuldades e bloqueios que tenho em relação as tecnologias. A autora explora de maneira precisa as gerações analógicas e  as gerações que já nasceram com a tecnologia a seu dispor. Como sou da primeira geração lembro que quando chegava algo novo em casa (som, TV, rádio, Máquina fotográfica...) eramos proibidos de mexer, sob a alegação que podia estragar,  e isso suava aos meus ouvidos como algo terminantemente proibido - poderia estragar na minha mão. Até hoje carrego esse receio de qualquer produto que adquiro, penso antes de mexer: Vou desconfigurar tudo e não vou mais acertar o que já estava funcionando. 

Quando tínhamos a oportunidade de mexer, para aprender, eramos tolhidos e a nossa curiosidade era ceifada naquele momento, acredito que minha dificuldade tenha reflexo nos meus tempos de criança e até hoje sempre preciso do suporte da minha filha para ensinar o que para ela é simplório. Entendi na leitura do texto que sou de uma geração analógica e uma imigrante digital, ao passo que nossas crianças, ao nascerem, estão inseridas e interagindo  no mundo digital impulsionadas pela própria família, ou seja, geração de mexer para ver como funciona, enquanto a minha era, não mexe para não estragar!

Como as crianças na atualidade já nascem tecnologizadas ( termo usado pela autora) a forma como se comunicam é diferente das gerações passadas -  geração analógica que tardiamente foram apresentados ou introduzidos de forma obrigatória ás tecnologias. Contudo, cabe salientar que a ação do sujeito nesse encontro de diferentes culturas se dará através da colaboração e da cooperação a partir dos conhecimentos de cada um dos sujeitos utilizando diferentes pontos de vista.

Aos poucos estou dominando - para não dizer engatinhando - na língua digital, mas com forte sotaque analógico. Tudo bem!!! Reflito e valorizo sobre minhas pequenas conquistas no mundo tecnológico, mesmo que num primeiro momento pareçam pequenas perto do que ainda tenho que conquistar pela necessidade, curiosidade e do desejo que tenho para aprender.

fonte:
  SCHLEMMER. Elaine. O trabalho do professor e as novas tecnologias. Revista textual. Set. 2006, p. 33-42